Entrevista do consultor Ricardo Mallet para a BASF

2008-06-16 07:54

Qual a importância do indivíduo para os resultados coletivos, quando o assunto é segurança?

Exemplo. Tudo começa por aí. Geralmente, tendemos a imaginar que nossas atitudes de rotina têm um impacto insignificante na cultura de uma empresa. Entretanto, esta visão está muito longe da realidade. Assim como os pequenos e constantes grãos de areia, soprados pelo vento, conseguem destruir completamente um rochedo aparentemente inabalável, nossas pequenas atitudes do dia-a-dia também podem derrubar uma mentalidade de descuido em relação ao valor da vida na cultura de uma organização. E, falando em exemplo, lembremos de um pequeno e franzino indiano chamado Mohandas Gandhi que, com uma atitude obstinada e constante, conseguiu libertar toda a Índia do inabalável império britânico.

Por que é tão importante para as organizações o bem-estar de seus funcionários na rotina de trabalho?

Primeiramente, precisamos compreender que um bem-estar genuíno vai muito além do conceito de motivação. Freqüentemente, tenho visto gestores que, comprometidos com os resultados, tentam melhorar as coisas aplicando uma espessa camada de maquiagem motivacional sobre os rostos dos seus colaboradores.  É a mentalidade do “alívio imediota” que traz uma esperança passageira ao invés de construir uma sólida autoconfiança a longo prazo. E isso apenas tende a piorar as coisas.

Bem-estar significa, de forma profunda, estarmos de bem com nós mesmos e com a própria vida. É quando nosso corpo, emoções, ideais e essência estão potencializados e alinhados, fazendo de nossa vida uma experiência extraordinária e significativa. Pessoas assim são dinâmicas, apaixonadas, criativas e felizes em tudo o que fazem.

Num mercado altamente competitivo, onde recursos tecnológicos, preço baixo e acesso à informação já não estão mais garantindo o sucesso das organizações, somente as pessoas que despertarem este potencial farão a diferença na rotina de trabalho.

Existe uma relação entre segurança e qualidade de vida? Qual?

Segurança é apenas a ponta do iceberg do conceito de qualidade de vida. Uma pessoa que se preocupa com segurança está demonstrando que valoriza a vida, no mínimo a própria. Terá, então, uma atitude mais atenta naquilo que faz e evitará trabalhar no “piloto automático” – aquele comportamento programado e descuidado que possibilita os mais diversos infortúnios no trabalho e na vida. Mas, para compreender e aplicar o conceito amplo de qualidade de vida, precisaremos despertar uma visão mais sistêmica, que compreenda nossa vida como um processo contínuo e não como uma sucessão de eventos isolados. Qualidade de vida, muito longe daquela imagem comercial de pessoas magras, sorridentes e vestidas com roupas brancas esvoaçantes, requer o despertamento de um profundo sentido de propósito existencial e valor pessoal.

O tema da SIPAT "Você é único. Proteja-se!" chama a atenção para algo que parece passar desapercebido de todos nós: a nossa unicidade e importância em todos os processos. Por que é importante uma abordagem do gênero, quando estamos falando em segurança?

A atitude preventiva só se tornará um comportamento automotivado se enxergarmos a nós mesmos como únicos e importantes. Independentemente daquilo que fazemos no dia-a-dia, nossas ações podem ser movidas por muito amor à vida e profundo sentido de autenticidade. E só encontraremos esse sentido dentro de nós. Em nenhum outro lugar.

Escrito por: Ricardo Mallet

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